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Ano letivo 2016/2017


A Escola Básica do 1.º Ciclo/Jardim de Infância Padre Abel Varzim situa-se no Bairro Alto, em Lisboa, na freguesia da Misericórdia.




A história da Escola

Antigo palácio/ antiga Escola N.º 12

A Escola Básica do 1º Ciclo e Jardim de Infância Padre Abel Varzim está instalada numa antiga residência senhorial da segunda metade do século XVIII, que sofreu transformações significativas na centúria seguinte, mais precisamente em 1874, a avaliar pela data inscrita na bandeira da porta principal, sobretudo na caixa de escada principal de acesso ao imóvel, assim como no remate das fachadas que foram coroadas por platibanda com balaústres de cerâmica.

Pouco se sabe da sua história, mas o palácio no século XIX terá sido residência da família Sousa Azevedo, viscondes de Algés. De finais da centúria e até 1910, foi alugado, para sede e armazém, à Marcenaria 1° de dezembro, que se notabilizou pela divulgação do mobiliário Thonet e Arte Nova que produzia. 

Em 1912 o prédio foi arrendado para instalação das Escolas Centrais números 12 e 21, do ensino primário, respetivamente do sexo masculino e feminino, situação que se manteve até maio de 2004, data em que a Câmara Municipal de Lisboa adquiriu o edifício. 

As adaptações que a casa foi sofrendo ao longo dos anos para adequação aos novos usos nem sempre respeitaram devidamente os elementos de valor patrimonial. Todavia, a campanha de obras de reabilitação e requalificação do velho estabelecimento escolar, reaberto no ano letivo de 2005-2006 com a nova designação, permitiu salvaguardar e restaurar parte do património existente. 

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António Miranda  (CML - UPBAB)



Enquadramento histórico do meio

A área de intervenção da UPBAB cresceu em terrenos agrícolas e baldios, a ocidente das Portas de Santa Catarina, ao Chiado, zona onde, a partir de inícios do século XVI, e como consequência do aumento populacional propiciado pelos Descobrimentos, se registou o maior e mais importante surto urbanístico da Lisboa de então. A cidade extravasou para fora da muralha mandada construir, entre 1373-75, pelo rei D. Fernando, expandindo-se tentacularmente junto às principais vias que levavam às povoações do termo e, sobretudo, junto ao rio, em terrenos muito requisitados que terão começado a ser urbanizados ainda em 1498, e onde se fixou uma população maioritariamente ligada às atividades marítimas. 

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Começando na antiga Porta de Santa Catarina, rasgada na cerca fernandina, a artéria atravessava os terrenos de uma vasta propriedade que, no século XV, pertencia a Ghedália Palaçano, conhecido como Mestre Guedelha, um influente judeu da corte de D. Duarte e de D. João II e que constituíam duas grandes herdades: a sul, a Herdade da Boavista, marginando o Tejo e que se prolongava até à Esperança, onde viriam a crescer as Chagas, a Bica, Santa Catarina e o Conde-Barão, e a norte, a Herdade de Santa Catarina, ocupando as terras mais altas onde haveria de surgir o Bairro Alto.

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O Bairro Alto propriamente dito define-se entre a Rua do Século, a poente, os largos do Calhariz e de Camões, a sul, as ruas da Misericórdia e de S. Pedro de Alcântara, a nascente, e a Rua D. Pedro V, a norte.

A família dos Andrades teve um papel central no processo de urbanização de toda a zona, tanto que inicialmente o novo bairro era conhecido por Vila Nova de Andrade. Numa primeira fase o bairro cresceu até à Travessa da Queimada, junto à Igreja de São Roque. Com a instalação dos padres da Companhia de Jesus, a partir de 1553, em S. Roque, os quarteirões a norte da Estrada de Santos passaram a ser conhecidos por Bairro Alto de S. Roque. Dinamizadores de nova fase da urbanização que avança para norte, os jesuítas atraem para o bairro uma população de condição mais elevada, de burgueses ricos e fidalgos, que aí construíram os seus palácios.

O Bairro Alto resistiu em grande parte ao Terramoto de 1755, mantendo intacta a sua estrutura urbanística, embora a nova arquitetura pombalina marque presença nas suas zonas limítrofes. Todavia, depois do Grande Sismo, e durante o século XIX, a fisionomia social e económica do Bairro Alto alterou-se. Assiste-se ao abandono progressivo das casas nobres, transformadas em prédios de rendimento e, depois da extinção das ordens religiosas, em 1834,  são dados novos usos aos conventos, caso dos Caetanos, onde surgiu o Conservatório Nacional, e noutros mais periféricos, como o dos Paulistas, transformado em quartel da GNR ou o de Jesus, onde se instalou a Academia das Ciências.

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A instalação das redações e tipografias dos mais relevantes periódicos de Oitocentos e de grande parte da centúria seguinte, contribuíram ainda mais para a animação noturna da zona, tradição, aliás, que remonta ainda a Setecentos, com a transformação do palácio do conde de Soure em teatro.

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Nos anos de 1940-50, com a requalificação social da canção de Lisboa, surgem as casas de fado e os restaurantes típicos. As transformações sociais produzidas após a Revolução dos Cravos (1974) e o incremento do turismo trouxeram outro tipo de vida noturna, e as antigas casas de pasto e tabernas, assim como muitas das lojas de comércio tradicional, progressivamente têm vindo a dar lugar a pequenos restaurantes, bares e discotecas, que a par de um novo tipo de comércio e dos estilistas da moda o transformaram num bairro cosmopolita.

António Miranda (CML - UPBAB - 2011)